sábado, 13 de novembro de 2010

Panis et Circenses

Às vezes dentro dos meus devaneios teológicos e filosóficos me sinto como um coelho saído da cartola de um mágico, confuso, sem dignidade, sem honra, sem humanidade, sendo usado para o ridículo, para o ínfimo, para a ilusão de uma platéia que busca algo que aplaque a dor que pulsa no peito, mas que recebe apenas uma dose que os iludi e que os afasta momentaneamente da realidade que os assola. Assim sou eu dentro da minha sede de ser uma pessoa integra e fiel aos preceitos bíblicos, vejo que sou apenas um pastor romântico, que dentro do meu romantismo sonha em mudar os rumos da teologia e do cristianismo, o cristianismo podre do "eu próprio".
O cristianismo do "eu próprio" é cheio de politicagem, cheio de falso humanismo, cheio de falso bem querer, cheio de falsas amizades, de falsos pensamentos, de falsa ética, de falsa teologia. Os que praticam este tipo de cristianismo esquecem, ou ainda não entenderam que a mensagem de Cristo não é apenas para si ou para os seus, mas é universal, eterna e não morre dentro dos pensamentos prostituídos, e ainda ousam dizer que estão aqui para ajudar a humanizá-lo e democratizá-lo.
O cristianismo do "eu próprio" me parece uma boca escancarada com seus dentes podres e mal escovada, com odores de morte, com desleixo, e desprezo pelas pessoas que não podem proporcionar conforto financeiro nem dias melhor, pessoas que tem sangue correndo em suas veias, que entram em nossas igrejas atrás de algo real e palpável que mude suas vidas, pessoas que estão cansadas de lavar a roupa, de amassar o pão e de arrancar a vida com as próprias mãos. Estas pessoas buscam perto dos "cristãos" um alento, uma mensagem, uma atitude, mas eles dentro de sua teologia fútil, mesquinha e podre aproveitam-se da fragilidade e da fé.
Será que ainda há uma saída para nós? ”cristãos evangélicos".
Só haverá uma saída se nós nos levantarmos de nossas cadeiras moribundas, onde estamos pregados e tão confortavelmente acomodados, aceitando o "Pão e o Circo" que nos enfiam goela abaixo e que nos fazem ficar tão longe de um crescimento real em Cristo Jesus.  A saída está dentro de nós, em uma teologia fraternal, humanista, cívica, democrática, inclusiva e sem interesses obscuros, em prol daqueles que apenas enxergam diante de si esplendorosos espelhos.         

João Paulo Gouvêa

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