A nova lei de drogas, no art. 28, descriminalizou formalmente a conduta da posse de drogas para consumo pessoal. Retirou-lhe a etiqueta de "crime", e assim de modo algum permite a pena de prisão, o que em parte até posso concordar, pois um usuário de drogas deve receber tratamento adequado em clínicas psicológicas e psiquiátricas e não em cadeias lotadas de bandidos e facínoras, porém, em minha opinião, não deixa de ser um contraventor, pois o uso e posse de drogas não são legais no Brasil. Mas, com essa nova lei o usuário já não pode ser chamado de "criminoso". A grande ironia e hipocrisia de nossa sociedade é que ele é autor de um ilícito, mas já não pode receber a pecha de "criminoso". Com isso toda nossa preocupação e luta na prevenção do uso não tem mais valor e consequentemente toda a força punitiva da lei perde seu sentido. A lei passou a ser inócua, inoperante e imprestável.
Este é apenas mais um dos inúmeros exemplos da relativização da sociedade pós-moderna, o criminoso comete o crime, não pode ser visto como criminoso, a lei perde sua força e a sociedade fica à mercê da exploração e extorsão causadas pelo uso de drogas. Muito dos crimes de homicídio, latrocínio, furtos e roubos têm como motivador principal o consumo e tráfico de drogas.
Na revista “Superinteressante” do mês de Julho de 2011, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como é de praxe, deu mais uma entrevista demagógica, hipócrita, fútil e eleitoreira. Mostrou inclusive que só tem conhecimento do assunto de ouvir falar, nunca esteve sequer perto do submundo destrutivo que as drogas causam.
Perguntado pela revista se já havia convivido com algum usuário de drogas respondeu:
_ Nunca convivi. Eu vi agora para o filme. Fora disso, não. (ele para e pensa) Teve um caso de um filho de um amigo meu, mas ele hoje é normal. Há uma ideia de que, se você entrou nas drogas, não sai mais delas. As pesquisas não dizem isso. Há um momento na vida em que as pessoas experimentam. Para alguns dura mais tempo, para outros menos, e elas saem. Há muito preconceito ainda.
Desculpem-me os apologistas do ex-presidente, mas esse pensamento é um show de horror, um show estúpido e espúrio, de um burocrata desumano que vive atrás de pesquisas manipuladoras. Ele cita aí uma pesquisa que as pessoas mais dia menos dia saem do consumo de drogas, mas ele se “esqueceu” de comentar em que estado de saúde física e psicológica elas saem do convívio com as drogas, fora as pessoas que largaram as drogas porque morreram.
“Não sabe” nada sobe o dia a dia de um usuário, “não sabe” nada sobre o tratamento de um usuário, “não vê” os malefícios que elas causam, “não vê” a deterioração da sociedade e da família que as drogas causam. Enfim, seu discurso, como o de todos os apologistas, é fútil, vazio, sem fundamento real. E enquanto isso a sociedade fica a mercê destes políticos sujos, que ao invés de promover políticas públicas que melhorem as condições de vida das pessoas, ficam apenas em pré-campanhas eleitoreiras e demagógicas para evitar que sejam expurgados da mídia por seu próprio partido, como na eleição anterior.
A estratégia é deixar as pessoas de bem com peso na consciência, falando que o tema ainda é cercado de preconceito. Não sou preconceituoso, apenas defendo o futuro de minhas filhas, prezo por uma sociedade justa e saudável, menos hipócrita, menos demagógica e corrupta.
Que a nossa sociedade não perca o poder de se indignar com esse tipo de campanha, mas levante sua voz clamando por justiça e não por drogas.
Paternalmente,
João Paulo Gouvêa
Nenhum comentário:
Postar um comentário